Coisa Ruim

Tiago Guedes & Frederico Serra, 2006 (Portugal) – imdb

- Conto o fim, conto a história, conto tudo. Por ser português, deveria ser mais brando? Talvez desculpar a debutância, mas aos 20 minutos do filme, o fim já era esperado… Um manta de retalhos de fimes de exorcismos e casas assombradas. Todavia, é um começo no fantástico do cinema nacional.

- Uma familia lisboeta herda uma casa algures no interior do país, e decidem (o pai, é claro) que uma mundança do ambiente fará bem a todos (que se opõem, mas consentem). E lá vão… Há o pai céptico (homem de ciência, biólogo, como convém), a mulher (frágil, facilmente sugestionável), a filha mãe solteira (assustada com as mudanças na sua vida), o filho mais velho (rebelde e estudante de medicina, mais céptico e arrogante que o pai) e o filho mais novo (qual puto do sexto sentido)… Até a familia é típica.

- A partir daí, é o habitual na aldeia do interior – pessoas desconfiadas, população envelhecida, o padre de todos, as lendas e superstições. Aliás, é neste assunto que o filme se torna mais genuíno, pe. “no fim da missa, quando o padre se esquece de fechar o missal, as bruxas não se levantam” ou “o targo, o gato que mija nas pernas das jovens com cio”…

- Os actores, embora com nome no cinema, teatro e televisão, são francamente maus. Destaca-se o rapaz do outrora “adeus pai”, José Afonso Pimentel, passados dez anos, consegue encarnar a personagem de Rui com solidez e convicção.

- O fim – o exorcismo de Rui, a morte do puto, a revolta do pai com sentimentos de culpa – era previsível desde o inicio do filme. Todavia, foi um fim demasiado fácil, rápido e pouco explorado…

- Em termos de realização, há momentos bons… alguns planos engraçados mostrando imaginaçao, um genérico feito com um jogo de profundidade de campo muito bom, o interior do país numa amostragem com uma cadência quase poética. Apesar de alguns aspectos promissores, há sequências tipicamente passadas a químico de alguns filmes americanos.

 

*** Razoável


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